Moça

Moça


Ei moça, há quanto tempo você ta ai? Há quanto tempo você quer sair? Tá tudo bem?
Sempre quando pergunto, seja para mim mesma ou para as minhas amigas, as respostas parecem estar sempre embaralhadas. Nos preocupamos com nossas escolhas 24 horas por dia, e por mais incrível que possa parecer, não descobrimos as respostas na maior parte do tempo. Mesmo que procure entender todas as mulheres do mundo, sei que desconheço suas vivências mas posso compreender suas angústias e suas dores.
Acho que não tem muito tempo quando me descobri mulher, e posso dizer que o caminho ainda é longo e que chegar até aqui não é simples. De tantos relacionamentos têm sempre alguns que te marcam e mesmo sem querer, algumas memórias vêm na nossa mente.
            Lembro quando conheci uma das pessoas que por escolha decidi amar com toda a minha intensidade emocional. Desde o primeiro dia eu sabia que a desconfiança era permanente, mas escolhi seguir com algo que, pela primeira vez na vida, parecia ser verdadeiro. Rimos, brigamos e prometemos ser sempre cúmplices, mesmo a minha desconfiança sussurrando que eu deveria sair dali. Quando as brigas passaram a ser algo constante e levavam uma pitada de chantagem emocional, eu não via qualquer outra possibilidade a não ser me esforçar para que o meu relacionamento não acabasse. Quando me dei conta, não havia mais beijos, carinhos, muito menos cumplicidade e as brigas  se tornaram públicas. Meu relacionamento escorria pelos meus dedos e eu não conseguia segurá-lo, por mais que eu me esforçasse.
Isso se arrastou por alguns meses, até que finalmente acabou e o meu processo para me descobrir mulher começou. A verdade veio à tona sobre quem de fato era a pessoa que eu achava que tinha me apaixonado, e tudo que eu conseguia sentir era uma mistura de raiva com amor, ódio, medo, insegurança e mais raiva. Me culpei durante meses e depois o culpei por mais tempo que deveria, até que entendi que não se trata de culpa, e sim de compaixão.
“Eu perdoo você”, foi o que eu disse. Descobri que nada de ruim que ele possa ter feito contra mim, dizia respeito ao quanto ele gostava de mim ou não, e sim da falta de amor próprio que ele sentia por si mesmo. Percebi que o caminho que eu escolhi de seguir sozinha e não voltar para aquilo que me machucou era desafiador, porém encorajador. Eu estava indo em busca de mim mesma e mal sabia que seria uma das maiores experiências da minha vida.
Hoje me orgulho da mulher que batalhei para ser, afinal é ela quem me dá a força que um dia duvidei que teria. Posso estar na metade do caminho da minha construção, mas espero me surpreender a cada escolha. Não tenham medo de se escutar e perceber que qualquer relacionamento pode ter erros, porque no final do dia o que importa é como transformamos o desafio que nos foi dado. Precisamos reconhecer o que nos faz bem, que nos suga e o que nos diminui para tomarmos a decisão de colocar nosso amor próprio em primeiro lugar. Estamos em constante mudança e saber que no final das contas me escolhi para amar é a resposta para todo embaralhado que me consumia.  

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